Militância em Ambientes Virtuais

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Militância em Ambientes Virtuais (MAV)[nota 1] foi um grupo brasileiro que surgiu em 2011 para tentar dominar a internet brasileira[nota 2] com propaganda esquerdista nas redes sociais[nota 3] para combater as propagandas antiesquerda (antipetista) e pró-tucanas (referentes ao PSDB, então o principal partido da oposição ao PT).[nota 4] De acordo com direitistas, monitores das redes sociais sem filiação partidária e até Anonymous (que estava em declínio), o MAV desapareceu por torno de 2016, após o impeachment de Dilma Rousseff e a desastrosa campanha eleitoral do PT e da esquerda nas eleições municipais do mesmo ano.

História[editar]

MAV PT.jpeg

A Militância em Ambientes Virtuais foi criada durante o 4º Congresso do Partido dos Trabalhadores em setembro de 2011, marcado por ataques dos petistas à imprensa e pela defesa da "regulamentação dos meios de comunicação" (eufemismo para "censura") que nunca saiu do papel (ainda bem).

No entanto, o grupo já começou atuando na campanha de Aloízio MercadanteWikipedia's W.svg ao governo de São Paulo em 2010, sem nome definido. O primeiro ato que se tem registro na internet foi contra a revista Veja após a publicação de reportagem sobre o ex-ministro e ex-político José Dirceu em setembro de 2011.

O petista Adolfo Pinheiro, encarregado de apresentar um plano de ação ao presidente da legenda (Rui Falcão) foi uns dos fiadores do 4º Congresso do Partido dos Trabalhadores em setembro de 2011:

Quando sai algo contra um governo petista, a mídia faz escândalo, dá página inteira no jornal. Temos que ir para cima. Nossa única recomendação é não partir para a baixaria e manter o nível do debate político.

Os filiados serão treinados para repetir palavras de ordem e usar janelas de comentários de blogs e portais noticiosos para contestar notícias negativas contra o PT, pois a nova ferramenta também poderá ajudar candidatos petistas a enfrentar boatos com mais rapidez.

No ano passado [2010], demoramos demais a rebater calúnias contra Dilma [Rousseff] sobre aborto e luta armada.

—Adolfo Pinheiro[1]

No entanto, a forma de atuação do grupo na prática era outra: através da disseminação de desinformações e boatos para tentar desmoralizar os inimigos do PT (principalmente contra direita, PSDB e DEM), apresenta os opositores como um bando de trolls filhos da puta da direita reacionária. O grupo atua criando perfis falsos em massa nas redes sociais de orientação de esquerda e de direita, se identificando como demo-tucanista e direitistas que escrevem um monte de merda como forma de prejudicar a oposição.

Dilma Bolada era um famoso MAV. Aqui vemos ele discutindo com o João das Coxinhas

Durante o ano de 2012, a MAV e seus aliados da internet passaram a atuar pra abafar a CPMI do Cachoeira (que poderia atingir os antigos integrantes do Governo Lula envolvidos no escândalos dos Bingos e Mensalão) e influenciar nas eleições municipais naquele ano (2012).

A MAV começou a perder influência nas interwebzs na metade de 2013 (quando houve protestos nacionais) para os Anonymous, que passaram a ter influência dentro e fora das redes sociais, ao usar lema "sem partido" (considerado o primeiro abalo ao establishment político imposto após a queda do Collor em 1992). Após os protestos, a MAV passou a ser alvo de uma porrada de teorias conspiratórias tanto pela direita quanto pela própria esquerda. Afirmava-se que os petistas se envolveram o grupo em circunstâncias absurdas para tentar incriminar a direita e suas dissidências esquerdistas com falsas acusações e boatos.[nota 5]

Em julho de 2015, após o episódio dos ataques racistas contra a jornalista Maria Julia (apelidada de Maju Coutinho ou apenas Maju) da Rede Globo,[nota 6] surgiu a teoria de que foi a MAV que organizou esse grupo. Eles teriam postado comentários racistas pra caralho, gerando várias notícias de jornalistas sérios aparecendo para defender a apresentadora. O objetivo, neste caso, seria desviar a atenção do fato dela ser esposa de Agostinho Paula Moura, publicitário envolvido com o PT e que estaria sendo investigado pela Operação Lava Jato.

Claro que a versão mais provável não tem a menor graça: que tudo não passou de obra de um mlk paulista de 15 anos que ainda não descobriu que tem pornografia à vontade na Internet, e que qualquer celebridade, independentemente de raça, gênero, orientação sexual, idade, peso, cor do cabelo, tamanho dos peitos ou do pau, quando se expõe, será inevitavelmente trollada à vontade nas redes sociais e em outros ambientes onde o troll se sente seguro pelo anonimato.

Fim[editar]

Os MAVs não tinham muita criatividade para escolher as fotos de perfil

Com a crise econômica e política iniciada logo após as eleições de 2014, diversos perfis de contas fakes da MAV pararam de influenciar nas redes sociais (alguns deixaram de postar e serem abandonado, enquanto outros foram suspensos) diante da falta de reação deles diante às péssimas notícias sobre deterioração em todas as áreas (economia, política e social) no decorrer de 2015 e as chamadas "medidas impopulares" impostas pela Dilma Rousseff.

De acordo com direitistas, monitores das redes sociais sem filiação partidária, os Anonymous e até ex-petistas, a MAV foi perdendo influência nas redes sociais no decorrer de 2015, o que fez desaparecer completamente no ano seguinte. Em 2016, ocorreu dois desastres para o PT, a esquerda e suas linhas auxiliares: o impeachment da Dilma Rousseff e a desastrosa campanha eleitoral da esquerda nas eleições municipais de outubro.

Durante o ano de 2018, com a MAV desarticulada, petistas acusaram internautas de fazerem fake news sobre Fernando Haddad para beneficiar Jair Bolsonaro,[2] o que fez com que os direitistas e bolsonaristas (que formam a base eleitoral dos ex-petistas e ex-tucanistas em eleições anteriores) reagirem com esta acusação, usando o fato que eles usaram a MAV pra fazerem a mesma coisa.

Ver também[editar]

Notas[editar]

  1. O significado exato da sigla varia de acordo com a adição ou não de artigos e plurais, podendo ser também:
    • Militância em Ambiente Virtual
    • Militância nos Ambientes Virtuais
    • Militância no Ambiente Virtual
    • etc.
  2. Na época, o termo interwebz não era conhecido.
  3. Na época, o termo "rede social" estava começando a ficar conhecido após o lançamento do filme "A Rede Social" de 2010, referente aos blogs, páginas de relacionamentos (Facebook e Orkut) e microblogging (Twitter).
  4. Na época, os tucanos do PSDB eram vistos como "partido de direita" e o maior partido de oposição no Brasil. Os escândalos de corrupção que eram escondidos pela grande mídia por muitos anos (supostamente antipetista e pró-tucana) e a aliança de conveniência dos tucanos com os petistas nos bastidores para evitarem um concorrente, aliada aos escândalos de corrupção e a crise econômica a partir de 2014, levaram os dois partidos a perderem milhões de votos de eleitores que levaram à eleição de Jair Bolsonaro.
  5. Na época, usava-se "boatos na internet" ou simplesmente "boatos", antes do termo "fake news" ser cunhado por Donald Trump em 2016.
  6. Na época, os petistas e toda a esquerda odiaram (e continuam a odiar hoje em dia) a Rede Globo, chamam de "Rede Goebbels" por ser uma emissora manipuladora a favor dos políticos tucanos (PSDB) e da direita. No entanto, os direitistas passaram a também odiar a emissora após perceberem cobertura tendenciosa nos noticiários a partir de 2017 que inclui as eleições de 2018.

Salsa

  1. PT treina 'patrulha virtual' para atuar em redes sociais Folha de S.Paulo, 18 de outubro de 2011
  2. Militância virtual e ilegal Gazeta do Povo, 29 de agosto de 2018, 0h01min