Gênero

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Dizer que só existem dois gêneros é o novo símbolo de ódio da extrema direita.

"Gênero" é uma palavra que hoje em dia é, no mínimo, controversa. Em português, a palavra normalmente é usada em um desses sentidos:

  • como sinônimo de "tipo" ou "espécie", ou seja, uma categoria de coisas parecidas, como um gênero musical ou literário;
  • uma classificação taxonômica para espécies; por exemplo, o ser humano (Homo sapiens) pertence à espécie H. sapiens do gênero Homo (mas não esse tipo de homo);

Em inglês, a tradução para os termos acima é genre (tipo ou espécie) e genus (classificação taxonômica), e ambos possuem a mesma origem. No entanto, há um terceiro uso da palavra também com a mesma etimologia, em inglês traduzido para gender, que é onde a controvérsia começa.

Historicamente, a palavra "sexo" sempre significou tanto a característica de alguém ser homem ou mulher como a fodeção propriamente dita. No entanto, na Inglaterra vitoriana, onde uma mera menção indireta a sexo era considerado algo indecoroso, passou-se a usar o termo gender no lugar de sex, para evitar esse tipo de conotação, e foi aí que a confusão teve início.[1] A partir dos anos 60, começou-se a adotar uma distinção mais clara entre as duas palavras, que logo foi incorporada em outras línguas:

  • sex (sexo) seria a gama de características físicas: mulher tem buceta enquanto homem tem piru, mulher tem útero enquanto homem tem próstata, mulher tem menos pelos e pele mais macia enquanto homem tem mais pelos e pele mais áspera, mulher tem voz menos grave que homem e assim por diante;
  • gender (gênero) seria a gama de características psicológicas ou comportamentais: mulher é mais sensível e perceptiva enquanto homem é mais prático, mulher costuma se maquiar e se enfeitar enquanto homem não, mulher gosta de novela e homem de filme de ação, mulher prefere o romance e o homem o sexo e assim por diante.

Enquanto as características do sexo são absolutas e universais (com a exceção de pessoas que nascem com distúrbios cromossômicos ou outras patologias físicas), certas características do gênero podem ser relativas e variar de cultura para cultura, porém existem também tendências comuns em todas as culturas, os chamados "papéis de gênero" (por exemplo, homens geralmente são enviados para a guerra e mulheres trabalham na produção de tecidos).

Em outras palavras, "sexo" seria o corpo e "gênero" o comportamento. Começou então a distinção entre macho e fêmea (sexos) e masculino e feminino (gêneros). Até aí nada de alarmante; era só uma forma de separar características físicas de características sociais. Aceitava-se a ideia de que o gênero correspondente a "macho" era o masculino (homem) e o gênero correspondente a "fêmea" era o feminino (mulher). No entanto, a merda começou de verdade quando surgiu o conceito de transgênero: uma pessoa que poderia ter o gênero e sexo incompatíveis. Ao analisar homens que se comportavam como mulheres e vice-versa, passou-se a adotar a ideia de que o gênero era definido pela mente e uma pessoa poderia nascer com o gênero errado, ou seja, ser literalmente uma mulher presa num corpo masculino ou um homem preso num corpo feminino, e que essa pessoa portanto precisava "readequar" o seu sexo (corpo) ao gênero correspondente. Um "transexual" seria um transgênero que passou pela cirurgia que altera a sua genitália. A palavra "trans" pode se referir tanto a um como a outro.

No século atual, a ideia de transgênero, até então praticamente desconhecida, se tornou cada vez mais popular, junto à popularização do movimento gay. Hoje, em muitos países ocidentais (incluindo o Brasil), "transfobia" (demonstrar aversão ou ódio a pessoas trans) é um crime.

A esse ponto, não dá nem mais pra saber o que é zoação e o que é real.

Esta ideia da separação rígida entre sexo e gênero se desenvolveu ainda mais, até o ponto de começarem a dizer que como "masculino" e "feminino" podem ser conceitos relativos, poderiam existir mais gêneros além desses dois, como por exemplo:

  • os dois ao mesmo tempo (bigênero);
  • nenhum dos dois (não-binário);
  • nenhum dos dois e nenhum outro (agênero);
  • um intermédio entre os dois (gender-fluid);
  • etc.

Também começou a se chamar de "gênero" homens e mulheres com personalidades mais específicas, assim a mulher mais sensível e a mulher mais valente seriam dois gêneros diferentes, o mesmo para gays passivos e ativos, e por aí vai. Com o tempo, passou-se a afirmar que podem existir dezenas ou até centenas de gêneros diferentes.

Para contrariar essa ideia, a Direita introduziu o meme "só existem dois gêneros", uma forma intencional de provocar os esquerdistas, especialmente os mais lacradores e eloquentes em relação a esse assunto, voltando à velha e tradicional ideia de que gênero e sexo não são separáveis desse jeito e que, portanto, só existiriam mesmo dois gêneros. Alguns chegam ao ponto de sequer usar a palavra "gênero" e dizer apenas "sexo".

Felizmente para alguns, é também importante lembrar que todas as pessoas do planeta que se identificam com algum gênero que não seja masculino ou feminino, somadas, se derem 1% da população, já é muita coisa. Há quem diga que são apenas um grupo de doentes mentais que foram levados muito a sério.

Salsa

  1. (...) Sex is inherent in the object; the distinction of sex in inherent in the word which stands for or represents the object. This distinction of sex we call gender, and it must not be confounded with sex itself. (...), extraído de New York Teacher, UFT bulletin, Volume 9 (1860), https://www.google.com.br/books/edition/New_York_Teacher/siQwAQAAMAAJ?gbpv=1&pg=PA387
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