Harvey Weinstein

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Harvey Weinstein em 2014

Harvey Weinstein (Nova York, 19 de março de 1952) é um ex-produtor de cinema e criminoso americano. A Família de Weinstein tem raízes judaicas e ele professava o judaísmo junto a seu irmão Bob Weinstein. Antes de cair em desgraça pública, Harvey Weinstein era próximo às figuras influentes dentro e fora dos cinemas, ativo em questões sociais, na segurança, na saúde e na política (atuou em apoio ao Partido Democrata e seus políticos). Em 2017, foi acusado de 97 crimes sexuais por várias mulheres desde a década de 1980, e caiu em desgraça pública. Acabou que ele foi preso em 2018 e condenado a 23 anos de cadeia em 2020.

Biografia

Antes do escândalo

Junto a Bob Weinstein, fundou a produtora independente Miramax em 1987, com a qual produziu filmes como Sex, Lies and Videotape (1989), The Crying Game (1992), Celestial Creatures (1994), Flirting with Disaster (1996) e Shakespeare in Love (1998). Weinstein ganhou o Oscar de melhor filme como produtor de Shakespeare in Love e sete prêmios Tony por obras e musicais como The Producers, Billy Elliot e August: Osage County. Em 2005, os irmãos Weinstein deixaram a Miramax e fundaram a The Weinstein Company.

Harvey Weinstein vivia nos círculos influentes dentro e fora da indústria cinematográfica e era ativo em questões sociais (como pobreza, AIDS, diabetes juvenil e pesquisa de esclerose múltipla), na segurança (era crítico à falta de leis para o controle de armas), na saúde (crítico à falta de saúde universal nos Estados Unidos). Na política, atuou em apoio ao Partido Democrata e seus políticos ligados à esquerda dentro e fora dos Estados Unidos, tendo contribuído financeiramente para as campanhas eleitorais de John Kerry (2004), Barack Obama (2008 e 2012) e Hillary Clinton (2016).

Escândalo

Harvey Weinstein caiu em desgraça pública em 5 de outubro de 2017, quando o jornal The New York Times publicou uma reportagem na qual dezenas de mulheres acusaram Harvey Weinstein de crimes sexuais, incluindo agressões, assédios e estupro (a mais antiga denúncia data da década de 1980). Em 10 outubro, cinco dias depois, a revista The New Yorker publicou outras dezenas acusações graves semelhantes contra Weinstein feitas por outras mulheres. Após essas publicações, outras mulheres na indústria cinematográfica relataram experiências semelhantes.

Numa tentativa de desacreditar as acusadoras, Harvey Weinstein negou "qualquer sexo não consensual" com as alegadas vítimas, além de tentar comprar o silêncio da grande mídia para não revelar mais denúncias. No entanto, o que aconteceu foi o contrário: nos dias seguintes, os políticos (Kerry, Obama, Clinton, entre outros), as personalidades e os amigos que tinham seu apoio e influência por muitos anos e décadas se voltaram contra ele e repudiaram as suas atitudes. Fizeram isso numa tentativa de desassociarem as suas imagens a Weinstein, o que foi considerado hipocrisia de acordo com seus críticos, já que alguns que o repudiaram foram posteriormente acusados dos mesmos crimes.

Em 9 de outubro, Harvey Weinstein foi demitido de sua produtora The Weinstein Company por seu irmão. Em 10 de outubro, às vésperas dos 10 anos de casamento, a então esposa Georgina Chapman anunciou que estava deixando o marido e pediu a guarda dos filhos diante das novas denúncias. Ela só conseguiu o divórcio em janeiro de 2018. Em 14 de outubro, foi expulso da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Foi suspenso da Academia Britânica de Cinema e Televisão e também foi forçado a renunciar ao Directors Guild of America após pressão dos integrantes.

Diante das 97 denúncias, os departamentos de polícia de Los Angeles e Nova Iorque abriram investigações criminais por crimes sexuais contra Harvey Weinstein nos Estados Unidos. Também houve acusações de cidadãs britânicas no Reino Unido, fazendo a Polícia de Londres abrir investigações criminais pelos mesmos crimes também.

Weinstein foi preso e acusado de estupro em Nova York em 25 de maio de 2018. Foi declarado culpado de dois dos cinco crimes sexuais em 24 de fevereiro de 2020 e condenado a 23 anos de prisão em 11 de março. Ele foi inicialmente detido na Prisão de Rikers Island, antes de ser transferido para o Centro Correcional de Wende. Na prisão, contraiu duas vezes o coronavírus/COVID-19 e sobreviveu.

Nas semanas seguintes, o escândalo levou ao surgimento, nos Estados Unidos e no mundo, do "efeito Weinstein", em que vítimas de assédio sexual (incluindo homens) passaram a denunciar celebridades masculinas poderosas que até então eram intocadas e consideradas imunes a caírem em desgraça pública, além de levar à criação do movimento Me TooWikipedia's W.svg. O mais irônico no caso é que, duas décadas antes, Weinstein foi um dos fundadores do fundo que defendeu legalmente o presidente Bill Clinton das alegações de agressão sexual contra Monica LewinskyWikipedia's W.svg em 1998 e 1999, quando presidia os Estados Unidos.