4chan

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Sua primeira reação ao visitar o 4chan.

4chan é muitas coisas para muitas pessoas. Para o Fox News, 4chan é a MÁQUINA DE ÓDIO DA INTERNET, que abriga terroristas domésticos. Para outras pessoas, é apenas um lugar cheio de weeaboos, furries, trolls, crianças e pedófilos que ficam fazendo shitpost o dia inteiro pela falta do que fazer.

Enfim, parando com esta bosta, o 4chan é o chan/imageboard mais popular da Internet. Foi fundado em 1 de outubro de 2003 por moot (powerword: Christopher Poole, mas alguns ainda contestam) pra ser uma versão em inglês do Futaba Channel, um imageboard japonês, que por sua vez tinha se inspirado no 2channel. Ou seja, é cópia atrás de cópia, parece a programação de TV brasileira.

A princípio, o 4chan era um site totalmente weeaboo, mas evoluiu de seu design original para a máquina de caos da Internet. O /b/ (random), de longe a sua board mais movimentada, não tem regras e foi responsável pela criação de alguns memes que são compartilhados até hoje na Internet.

Sendo assim, os /b/tards se consideram "celebridades" da Internet e querem ter seus rostos anônimos estampados na Internet toda, mesmo prezando pelas regras 1 & 2.

Diário de um newfag

Em abril de 2011, a revista Superinteressante publicou uma matéria dedicada ao 4chan.[1] Na matéria, um dos repórteres da revista resolve frequentar o mar de mijo que é o 4chan por um mês.

Ele, por ser moralfag (o que é de se esperar de um repórter da Superinteressante), se impressionou bastante com a cultura channer (da qual ele não se aprofundou nem um pouco), tentou visitar chans brasileiros também, sendo imediatamente banido do 55chan. Também conversou com o Zoucas e o Rafael Mendes.

Enfim, leia a porra da matéria e tente não dropar na metade só por ser TL;DR. Aqui está uma cópia da matéria, para você não ter o trabalho de abrir o link ou para caso dos viados da Superinteressante decidam tirar do ar (te obrigando, assim, a comprar a revista deles):

  • Dia 1 - Sinto o que meu pai deve ter sentido quando usou e-mail pela primeira vez: perplexidade. O site é incrivelmente caótico. Não sei o que fazer nem para onde ir. Decido escrever um post, singelo, com uma imagem de South Park e uma saudação. Após clicar em ok, não o vejo. É como se tivesse soltado a foto em um vendaval: são tantas mensagens que a minha vai direto para a página 2.
  • Dia 2 - Conheço, pela internet, um "anão" (como os usuários brasileiros se denominam). Ele topa ser meu guia no 4chan.
  • Dia 3 - Procuro informações a respeito do 4chan no Orkut e no Facebook. Nada relevante. Eles valorizam mesmo o anonimato. Rede social é coisa de quem quer aparecer.
  • Dia 4 - O site é feio, tem um visual antiquado. São dezenas de fóruns bagunçados, e é difícil entender a dinâmica de interação entre os usuários - que não têm avatar, perfil, nada. É um anti-Facebook. Percebo que os channers abominam o “câncer” – termo nada elogioso que usam para se referir aos novatos no 4chan, como eu.
  • Dia 6 - O canal /b/ é dominado por uma discussão bairrista. Americanos ridicularizam a obsessão pela cor verde dos irlandeses, que retribuem dizendo que a cultura ianque é tão ruim quanto a comida. Tento fazer contato educadamente, perguntando o que acham dos brasileiros. Ignoram. Xingo-os em português. Sou ignorado de novo.
  • Dia 7 - Entro na nova versão do fórum brasileiro 55chan, que havia saído do ar. Os “anões” cogitam derrubar o blog de humor Bobagento, pois o acusam de ser um copiador de piadas e memes. Falo com o dono do blog, Raphael Mendes, que faz pouco caso: "pura choradeira de adolescente rebelde sem causa". Dias mais tarde, eu conversaria com o designer Cristiano Zoucas, um dos criadores de outro fórum, o Brchan, visto por muitos usuários do 55chan como um rival.
  • Zoucas fala da diferença de perfil dos usuários dos dois sites. “A gente acha que só vale a pena atacar alguém se for para mostrar algo que está errado no mundo. No 55chan eles não gostam da cara do sujeito e já é motivo para fazer ‘raid’” (como os ataques orquestrados são chamados). “Acima de tudo, um chan é um lugar para criar memes, não um lugar para racistas e pedófilos se encontrarem”, afirma Zoucas, que lembra de alguns memes brasileiros nascidos no Brchan, como a “Magali dançarina”, que foi parar até no Fantástico.
  • Dia 9 - Volto ao /b/. Tento novo contato, pergunto qual é a graça do anonimato. Sou ignorado. Fico preocupado com meu comportamento de “câncer”.
  • Dia 11 - Volto ao 55chan e pergunto por que eles gostam de ser assim. Sou imediatamente banido do site.
  • Dia 12 - No /b/, o destaque do dia são fotos de sexo bizarro. Tenso.
  • Dia 15 - Usuários espanhóis criam um tópico para enaltecer seu país. Acabam atraindo ofensas de estrangeiros, que os chamam de machistas, atrasados, racistas e franquistas, que vão arrastar a Europa para o buraco com sua crise econômica.
  • Dia 16 - No canal /jp/, de cultura nipônica, a grande discussão é: "se seu computador fosse uma youkai [criatura do folclore japonês], como ele seria?" Na bizarrice do /b/, um tópico sobre bondage, tipo de fetiche sexual, tem mais de 100 imagens. Participo com uma foto de coprofilia. Queria ver a reação deles ao participar com algo que fugisse do assunto do tópico. Mas nem me dão bola.
  • O 4chan parece uma disputa de quem tem a foto mais legal/bisonha/chocante. Cogito subir a mesma imagem nojenta no /cgl/ (cosplay) mas desisto com medo de ser banido. Pornografia é proibido fora do /b/ e não quero chamar atenção dos moderadores (que também são anônimos e nunca se sabe estão fazendo vista grossa ou não). Com acesso a meu endereço IP, eles podem me banir temporariamente do site.
  • Dia 17 – O debate religião x ciência, recorrente no 4chan, é o tema do dia. Há argumentos extremistas de ambos os lados, e ninguém se sobressai. No canal /soc/ (social), alguém pede que meninas virgens mostrem seus corpos. Surgem 46 fotos, algumas de nudez explícita.
  • Dia 18 - Mostro as piores imagens do 4chan a meus amigos. Uma delas tem um homem fazendo, er, amor com um cacto. Eles não sabem da matéria e demonstram preocupação com meu estranho e crescente interesse em zoofilia. Tenho passado pelo menos 2 horas por dia no site, e ando mesmo perturbado.
  • Dia 19 - Está chegando o dia dos namorados nos EUA, e o tópico a respeito bomba. São 154 comentários, a maioria dizendo "vou passar a data sozinho". Há também brincadeiras típicas do Orkut, como "você beijaria a pessoa de cima?". Tento fazer amizade, mas sou desprezado e, ao usar a bandeira do Brasil para me aproximar, recebo respostas homofóbicas.
  • Dia 20 - A renúncia do presidente egípcio Hosni Mubarak gera um tópico surpreendentemente civilizado. Ícones como Che Guevara são lembrados, e os egípcios recebem dos ocidentais boas-vindas a uma suposta democracia na internet.
  • Dia 23 - Fiquei fora do site por 2 dias. Não suportava mais ler piadas sem sentido e extremismos constantes. O trabalho de repulsa ao "câncer" parece funcionar.
  • Dia 26 - Discussão elevada. No /lit/ (literatura), um tópico sobre a influência da vida perturbada de pintores e escritores em suas obras gerou comentários como "Edward Munch seria um alcoólatra depressivo, fosse ou não artista".
  • Dia 30 - Levo um pouco da nova cultura brasileira ao 4chan: o grupo de funk Avassaladores, sucesso no YouTube com a música “Sou Foda”, que teria sido descoberto no Brchan. Ninguém entende.
  • Dia 31 - Terremoto devasta a Nova Zelândia, e aparece um tópico rindo disso. Indignado, um "anon" divulga o e-mail e número de telefone do criador desse post. Outro tópico pede links para o vídeo de uma jornalista americana sendo agredida no Egito - e é atendido.
  • Por fim, duras críticas à cobertura da mídia sobre a Líbia: "Só falam sobre o efeito disso nas bolsas e no preço do petróleo. P*rra de prioridades, não?" Os usuários do 4chan podem ser grosseiros, maldosos e anárquicos, mas também têm consciência social.

Ver também

Ligações Externas

Referências

  1. super.abril.com.br/tecnologia/diario-mostra-como-ser-novato-4chan-624498.shtml - "Diário mostra como é ser novato no 4chan", h8rs gonna h8.


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